Notas Técnicas

Prezados Clientes e Parceiros,

Desde o início da pandemia do SARS-COV-2, estamos nos dedicando intensamente na realização dos testes moleculares para diagnóstico da COVID-19.

Com o incremento do número de testes realizados, começamos a encontrar alguns casos que merecem destaque.

Temos caso de paciente de 40 anos, sem comorbidades, positivo no exame de PCR que apresenta sintomas por mais de 25 dias.

O provável contágio se deu no início de março após contato com grupo de estrangeiros.

Considerando ter sido esse o momento de infecção, o paciente continua com carga viral suficiente para contaminar terceiros, por um período aproximado de 40 dias.

Foram identificados 3 casos de pacientes positivos no PCR, que foram submetidos ao exame sorológico para detecção de IgM e IgG após 15 dias do aparecimento dos sintomas e em todos os casos os resultados para soro-conversão foram negativos.

Como ainda estamos na curva de aprendizado sobre o vírus e suas manifestações, houve a necessidade de aprofundar a pesquisa na literatura científica para entender o comportamento dessa família SARS-Cov. Em 2004, Woo e col. publicaram um trabalho sobre o perfil de aparecimento de IgG, IgM e IgA em pacientes acometidos pelo SARS-COV-1.

Neste trabalho, foi possível identificar que o tempo médio para detecção das IgM e IgA foi de 17,5 dias após o aparecimento dos sintomas. Já em relação à IgG (anticorpo que mostra se o indivíduo já herdou imunidade frente ao patógeno), esse tempo pode chegar a 40 dias após o aparecimento dos sintomas. (VEJAM GRÁFICO).

Desta maneira, identificamos uma avalanche de testes rápidos sorológicos no mercado que além de terem problemas de sensibilidade já reportados na imprensa, tem seu escopo de atuação limitado ao timeline de resposta de cada indivíduo.

Sendo assim, a aplicação desses testes não se mostra oportuna no momento que nos encontramos na curva de transmissão do vírus.

O momento demanda a identificação dos indivíduos que possuem carga viral capaz de infectar terceiros, através da técnica do rt-PCR.

Os exames sorológicos serão úteis para avaliação epidemiológica quando a curva de contaminação já estiver em declínio.

Aos que desejarem, posso enviar uma cópia do trabalho de Woo e col. de 2004 que se mostra bastante oportuno para entendimento do comportamento do vírus.

DISCLAIMER: Trata-se de opinião pessoal, baseada em levantamento bibliográfico e análise de casos reais de pacientes com COVID-19.

  • Prof. Fábio Alonso
  • Doutor em Bioquímica – UFRJ; Diretor Executivo do Laboratório Contraprova.